Ele sempre gostou de observar as pessoas. Quando sentiu este prazer, pela primeira vez, era jovem. Escondido atrás da janela, sentiu-se impelido a espreitar a tia, na casa em frente, que era, como descreveu, “uma das mulheres mais perfeitas” que alguma vez viu. Esse momento despoletou vários momentos íntimos, de masturbação. Foi assim que começou o prazer do voyeurism.

Foi depois, em idade adulta, que comprou um motel. Mas não um motel qualquer. Neste, poderia dar largas à sua curiosidade e espiar os seus próprios hóspedes. Assim que viu o espaço, apaixonou-se. Era precisamente o que tinha imaginado. Agora, só faltava criar um sistema que desse acesso ao que se passava dentro de todos os quartos: um sótão com umas pequenas janelas no chão, donde podia assistir a tudo.

Gostava de observar quem não fazia a menor ideia de estar a ser observado. Todos nós já teremos, um dia, dito: “Quem me dera ser uma mosca para ver o que estás a fazer.” Mas Gerald Foos levou isto a um nível impensável.

Esperava assistir, em grande maioria, a cenas de sexo. Era um motel, afinal de contas. Mas viu muito mais do que isso. Durante décadas, esteve ali. Horas a fio. Noites seguidas. Percebeu o quão entediante é a vida da maioria das pessoas, o quão pouco fazem sexo, o quanto discutem e o quanto apenas se ficam, sem fazerem nada, apáticas. Um dia, chegou mesmo a assistir a um assassinato.

A história real que mais parece ficção

Esta parece uma história de ficção… Mas não é. Na verdade, é a história de Gerald Foos, que, já velho, decidiu que era a altura de contar este grande segredo ao mundo, antes de morrer. E foi a Gay Talese, jornalista e autor de mais de 14 livros, que Gerald decidiu contar em primeira mão o que fez, o que se passou e o que viu.

Foi esta semana, no novo documentário da NetflixVoyeur, que fiquei a conhecer esta história.

Quanto de voyuer há em ti?

Segundo Gay Talese, todos nós somos um pouco… voyeurs. Sobretudo, um escritor não ficcional, que escreve sobre a vida dos outros — sobre o que sentem, fazem, são.

Mas Gerald Foostem tem de ser mais do que um mero observador. E, embora se intitule a si próprio de «pesquisador», há quem o considere apenas psicopata. E louco.

Vale a pena ver o documentário, que estreou no dia 1 de dezembro e que é um exclusivo da Netflix.

E ler mais sobre isto aqui, no New York Times.

O trailer

☆ ☆ ☆

Imagem no cartaz + Vídeo | NETFLIX
Cartaz | Laura Almeida Azevedo

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Criativa digital. Designer, ilustradora e licenciada em Comunicação. Freelancer. Algarvia de gema a viver em Londres. Fascinada por cores, aromas doces e cidades grandes. Curiosa e uma sarcástica incurável. Autora do site e do livro «Apetece(s)-me», que falam de amor.

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