Gosto de acreditar que a vida não acontece por acaso e que não nos cruzamos, uns com os outros, só para entreter o tempo.

Gosto de acreditar que a vida não acontece por acaso. Que não vivemos apenas de forma aleatória. Que as coisas que nos acontecem — sem serem opção claramente nossa — não acontecem só porque sim.

Gosto de acreditar que não sofremos à toa. Que os percursos são difíceis para darmos mais valor às coisas. Para apreciarmos, com mais consciência, a vitória. Que as gargalhadas ensinam-nos a saborear o que é simples. Mas que o sofrimento também tem algo para nos ensinar. Que a vida só nos mete em labirintos dos quais sabe que conseguimos, um dia destes, sair. Que sentirmo-nos felizes é uma recompensa pela forma verdadeira como vivemos. Que só nos sentimos tristes quando não estamos no caminho certo. Quando é preciso mudar. Quando é preciso aprender. Gosto de acreditar que a dor só vem do tamanho que vem porque somos capazes de a suportar. Porque somos suficientemente fortes. Porque temos força para aguentar tudo, se for tudo o que vier. Que o instinto da sobrevivência amplifica a nossa coragem e resistência. Que nos torna impermeáveis a tudo. Até ao que achamos que não.

Gosto de acreditar que não nos cruzamos, uns com os outros, para entreter o tempo. Que a amizade é uma viagem. Que o amor nunca é em vão. Que é sempre necessário e inevitável — mesmo quando dói. Que os sentimentos são o que são porque não podiam ser outros. Porque nenhum outro nos mostraria mais um bocadinho da vida como ela realmente é.

Gosto de acreditar que as minhas escolhas têm uma finalidade que vai além da meramente circunstancial. Que só me acontece aquilo que me pode levar a ser uma pessoa melhor — mesmo que, nesse percurso, bata no fundo. Que a dor e a desilusão têm tamanhos proporcionais ao meu bom carácter. Que, quando chegar o momento certo, a dor passa. E que a alegria de viver é a única coisa que quero, realmente, reter de toda esta vida que levo e à qual, tão genuinamente, me entrego.

[Gosto. Mas nem sempre acredito.]


VAMOS CONVERSAR! Todos nós acreditamos em alguma coisa. No que é que tu gostas de acreditar, mesmo que nem sempre acredites? Partilha connosco nos comentários abaixo!

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Fotografia | Nuno Abrantes

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6 COMENTÁRIOS

  1. ” Sentirmo-nos felizes é uma recompensa pela forma verdadeira como vivemos”
    Também eu sinto assim a felicidade…

  2. É difícil acreditar, mas gosto desse raro sentir, que em mim, tem surgido esporadicamente e ainda mais inesperadamente, é um pouco como a surpresa do sabor daquilo que às vezes comemos, mas que não havia agradado à vista ou por simplesmente desconhecermos, vai-se lá saber o porquê!?
    O acreditar” não funciona sempre na mesma frequência, mesmo sentido ou com a mesma intensidade, como nem sempre o resultado recai sobre nós próprios, é quase como que uma incógnita pois nasce” no futuro!
    Contextualizado assim, para quem lê, é mais um prazer que nos invade ao sabermos que existe mais alguém que se ocupa com a sua própria Felicidade…e nunca com a desgraça alheia.
    Um bom texto inserido numa ainda mais valiosa investigação. Gosto do que escreves e essencialmente como o fazes! Abraço de parabéns. 😊

    • Obrigada, Rui, por este comentário! 🙂 Se já sabe bem escrever, então sabe melhor ainda quando há feedback. E… acreditemos! 🙂

  3. Obrigado Laura por me fazer acreditar que não sou a única que gosta de acreditar que:
    “Gosto de acreditar que a vida não acontece por acaso”
    Um beijinho bom ano!

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