Acordar sem pressas, na casa da mãe. Beber o café da manhã com calma. Saborear as torradas de pão alentejano e relembrar as tardes inteiras, em adolescente, que ficava à mesa da cozinha a comê-las bem fininhas e a ler. Sentir frio, mas não o frio que congela, como o de Londres. Apenas o frio que sabe bem, que me relembra que é Inverno, que me relembra que é Natal. Descobrir, algures, uns chinelos antigos: vermelhos e nostálgicos, como a época de Natal.

O natal é uma época festiva onde estamos com a família. Para mim, significa regressar a Portugal. Neste caso, ao Algarve. O meu natal foi assim…

Passear pela cidade de Faro quase vazia e ir até às minhas praias habituais de criança. Tirar muitas fotografias. Correr pela areia. Filmar a natureza. Dançar e pular junto ao mar. Sentar no muro para ficar a admirar a calma. Depois, voltar para casa para ajudar nos preparativos para os jantares de família. Combinar os guardanapos, tirar do armário o serviço de jantar que só se usa nestas ocasiões, mudar as mesas de lugar para caberem todos e definir os lugares de cada uma das 10 pessoas que se vão ali sentar.

Rever os avós, os sogros, os sobrinhos, o irmão e perceber, uma vez mais, que o tempo passa. Que cada dia longe é menos um dia junto deles. Ver como os sobrinhos são já grandes. Admirar os trejeitos e as manias deliciosas do mais pequeno, que faz um ano, que devolve o olhar com a mesma curiosidade de quem se vê só de vez em quando. Sentir o coração pequenino, pela ausência a que a distância obriga, e grande ao mesmo tempo, por saber tão bem estar ali.

Contar histórias e ouvir as histórias que nos contam à mesa. Querer saber mais. Ouvir, perguntar, contar e sorrir. Aproveitar a mesa grande para jogar às cartas em família. Sem batota. Rir com gosto porque também é preciso.

Deitar tarde e ver filmes até os olhos se fecharem sozinhos. Acordar com toda a calma do mundo, sem pressas, e repetir o ciclo. Dia após dia. Enquanto é Natal. Enquanto se pode.

E fazê-lo com a certeza de que o Natal acaba, mas que, enquanto durar, a vida vai descansando um bocadinho em nós.

O meu Natal foi assim. E o vosso?


VAMOS CONVERSAR! Como foi o teu Natal? Quais os pontos mais altos e quais os que poderiam ter sido um bocadinho melhores? Partilha connosco nos comentários abaixo!

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Fotografias | Laura Almeida Azevedo

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1 COMENTÁRIO

  1. Que bom Natal assim passado. O meu foi semelhante, com muita serenidade e muita paz. Em família, com os netinhos gémeos( menino e menina) de quatro anos e que não estranham ambientes nem os tios avós, nem a bisavó babada com tantos abraços e beijinhos repartidos por todos. O temporal não permitiu sair, mas o ambiente tão caloroso e de amor, encheu-nos a alma. Continuação de Boas Festas e que o Ano de 2018 seja a concretização de muitos mais projectos e de tudo o que de melhor esperares dele.

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