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O mundo desabara

Written by Laura Almeida Azevedo

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Posted on 12 May 2022

O mundo “desabara-lhe”. E, ainda que esta não seja uma construção verbal correta, era assim que ela sentia: o mundo desabara-lhe, caíra-lhe inteiro em cima. Explodira, em milhares de estilhaços, dentro do seu peito. Abrira um buraco absoluto no chão. Tornara-se água salgada nesse olhar que deixara de conseguir ver para lá do caos — para lá da dor.

O mundo “desabara-lhe” todo, inteiro. E, ainda que esta não seja a melhor conjugação verbal, os seus dias eram agora feitos de uma tentativa constante de sobrevivência. Um dia após o outro. E, nesse um dia após o outro que era, na verdade, um dia de cada vez, nasciam-lhe asas. Asas, essas, feitas de amor e invisíveis aos olhos dos comuns mortais, que a mantinham de pé.

O mundo “desabara-lhe”, e doía muito. Sabia que nunca mais voltaria a ser a mesma pessoa de antes. Nunca mais. E, agora, teria sempre estas asas a acompanhá-la aonde quer que fosse. Asas de um anjo que só ela sabia que estavam lá: sim, feitas de amor, a trazer-lhe a força de que precisaria tanto para se reerguer.

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